O açaí é o fruto da Euterpe oleracea, ou simplesmente açaizeiro: palmeira tipicamente encontrada na Amazônia. No entanto, nas últimas décadas, o fruto tem sido produzido e consumido em outras regiões do Brasil e do mundo.
Para que seja consumida, a polpa do açaí deve ser retirada com uso de máquinas específicas ou manualmente, após ficar de molho na água. Além dos famosos açaís na tigela, que são a mistura do açaí, xarope de guaraná, frutas (como a banana) e cereais; esse fruto pode ser consumido em sucos, sorvetes, picolés, doces, ou somente a sua polpa. Nesse caso, alguns preferem com um pouco de açúcar; outros, com farinha; ou até mesmo com peixe assado ou camarão! Cem gramas da polpa de açaí contêm cerca de 250 calorias, vitaminas C, B1 e B2, fósforo, ferro e cálcio.
O pigmento responsável pela coloração típica de nossos dentes, após ingerir o açaí, é chamado antocianina, sendo ele responsável pelo combate de radicais livres, prevenindo o envelhecimento precoce. O consumo contínuo da polpa do açaí também reduz as chances de doenças do coração, artrite e obesidade. Quanto a este último fator, vale lembrar que acontece em casos de ingestão moderada, já que é um alimento calórico, rico em gorduras (felizmente, a maioria é do tipo poli-insaturada).
Essas características, aliadas à grande quantidade de fibras e proteínas em geral que possui, faz da polpa do açaí um alimento muito utilizado – e indicado para atletas, após o treino.
Uma das vantagens comerciais do açaizeiro é que se aproveita tudo da planta: o fruto, para o preparo de alimentos deliciosos; a semente, para extração do óleo para fabricação de cosméticos, e confecção de artesanatos; o palmito, para culinária e como remédio natural para controle de hemorragias; folhas e estirpe para construção de telhados e confecção de produtos trançados, como bolsas, redes e sacolas; e a raiz, amplamente utilizada na medicina natural, por exemplo, como vermífugo.


A graviola é uma fruta originária da América Central, pertencente ao gênero Annona, no entanto cultivada no Brasil, onde é muito apreciada, sendo também encontrada na África e Ásia.
Uma gravioleira (angiosperma) possui porte arbóreo atingindo cerca de 4 a 6 metros de altura, adaptando-se principalmente em regiões de clima tropical e subtropical, onde desenvolve frutos com peso variando entre 2 a 6 quilogramas, podendo atingir até 8 kg.
Superficialmente, o fruto é envolvido por um tegumento verde, possuindo pequenas projeções espinescentes. Seu interior apresenta uma polpa (correspondendo a 65% da massa) contendo favos pouco distinguíveis, com sabor agridoce, textura macia e um grande número de sementes. É empregado industrialmente na fabricação de sucos, sorvetes e doces.
Além de ser uma excelente fonte de vitamina C e do complexo B, também possui alto teor de ferro, cálcio, potássio, fósforo e carboidratos.
Estudos recentes revelam o seu alto potencial terapêutico, provocando variados efeitos no organismo: efeito antidiurético, antiinflamatório, anti-reumático, antiespasmódico, anticancerígeno.
O cupuaçuzeiro, Theobroma grandiflorum, é uma planta pertencente ao mesmo Gênero que o cacau (Theobroma cacao). Por tal motivo, ambas são bem parecidas, inclusive seu fruto: alongado, grande, pesado e de casca dura; contendo uma polpa branca e carnuda, envolvendo suas sementes, de tamanho grande.
A T. grandiflorum é nativa da região amazônica, encontrada com frequência nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. De porte pequeno a médio, podendo atingir os vinte metros de altura, é bem-adaptada à sombra, podendo ser cultivada juntamente com outras plantas, de porte maior.
Sua polpa é amplamente utilizada na fabricação de sucos, geleias, cremes, sorvetes, biscoitos, compotas e até mesmo licores. As sementes são também aproveitadas para a retirada de sua manteiga, utilizada na culinária, para a fabricação do cupulate; ou para a fabricação de pomadas, batons, cremes e xampus.
Em virtude da presença de pectina, o cupuaçu auxilia na redução da glicemia e do mau colesterol, ajudando também no emagrecimento em razão de tais fatores (e porque reduz a saciedade). Graças a substâncias antioxidantes que possui, o extrato de sua semente pode ser capaz de inibir ou diminuir a progressão de cáries.
mais curiosidade:
O ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou, em 19 de maio de 2008, a Lei n.º 11.675, reconhecendo o cupuaçu como um fruto legitimamente brasileiro. Tal medida foi de grande valia, uma vez que o cupuaçu havia sido patenteado por uma empresa japonesa, no ano 2000, bloqueando oportunidades de comercialização do cupuaçu no exterior, por empresas brasileiras. Felizmente, tal registro foi cassado, em 2005.
A acerola é uma fruta nativa da América Central, América do Sul e das ilhas do Caribe, conhecida também como cereja das Antilhas. É muito conhecida por causa do seu grande teor de ácido ascórbico, ou seja, vitamina, com apenas dois frutos as necessidades diárias de vitamina C são sanadas. É importante ressaltar que quanto mais verde a fruta estiver mais vitamina C terá e ainda, dependendo da época da colheita essa pode sofrer alteração na quantidade de vitamina C. Além dessa, a acerola ainda contém vitamina A, B1, B2, B3, cálcio, fósforo e ferro.
A acerola sofre variação em relação a sua cor, ao seu tamanho e ao seu formato, por possuir várias espécies. É extremamente frágil, permanece no pé por apenas dois dias após chegar à maturação. Quanto ao sabor, as acerolas podem ser doces, ácidas e super-ácidas sendo que sua utilização é maior na produção de sucos, o que não a restringe a outras finalidades.
A fruta é bastante utilizada por pessoas com gripe, afecções pulmonares, doenças do fígado, doenças nasais e gengivais. Nasce de uma árvore chamada aceroleira que se desenvolve em regiões de clima tropical e subtropical. Sua proliferação pode ocorrer através do plantio da semente, por técnicas de enxerto e/ou por estaquia. A aceroleira possui porte médio de aproximadamente três metros de altura com características de arbusto. Sob irrigação constante, a árvore produz fruto o ano todo e em terrenos não regados com tanta freqüência, produz fruto até quatro vezes por ano. Nesse caso, a aceroleira floresce e frutifica principalmente no período da primavera e do verão.
Quando o assunto é chocolate, até conhecer um pouco de sua história e alguns de seus efeitos em nosso organismo é divertido. Mas o que para alguns é um prazer incontrolável, para outros se constitui em uma tentação, principalmente para os que querem emagrecer.
A árvore que dá origem ao cacau é o cacaueiro que tem como nome científico Theobroma cacau, cujo nome Theobroma significa bebida dos deuses. O cacaueiro é uma árvore nativa da América Central e do Sul, que necessita de condições especiais para produzir. Só para exemplificar, as árvores produtoras de cacau são muito sensíveis às variações climáticas e principalmente às doenças. Sua altura não costuma ultrapassar os 10 metros e caso as condições sejam favoráveis, em apenas 5 anos se inicia sua produção, podendo viver até quase 50 anos. A polinização de suas flores é realizada por morcegos!
Chocolate
O Brasil já foi um dos grandes produtores mundiais de cacau, contribuindo na época com mais de 30% da produção mundial. Entretanto, problemas relacionados aos custos de produção local e à falta de organização dos produtores cacaueiros, contribuíram para a retração desse setor produtivo, representando hoje apenas 4% da produção mundial.
A história do cacau é muito antiga, visto que povos pré-colombianos já utilizavam suas sementes para fazer uma bebida usada em rituais religiosos e alguns a empregavam como moeda. Cristovão Colombo, em uma de suas várias incursões pelo continente, foi o primeiro europeu a tomar conhecimento do chocolate, mas o sucesso do chocolate na Europa só veio a ocorrer em anos posteriores. Inicialmente, a bebida, por ser amarga e oleosa, não era adequada ao gosto europeu, somente com a substituição de alguns produtos, como a pimenta pelo açúcar, por exemplo, foi que se permitiu uma maior aceitação da bebida.
Com a popularidade, logo outros países europeus começaram a produzir o cacau em suas colônias, contribuindo para a diminuição dos preços, que eram altíssimos! Desta forma, a bebida que antes era exclusiva dos reis e pessoas afortunadas, aos poucos foi se popularizando. A substituição da água por leite também contribuiu significativamente para melhorar ainda mais o sabor da bebida. A partir do aumento do consumo e do desenvolvimento de novas e modernas técnicas de produção e processamento, o chocolate passou a ser consumido em tabletes e evoluiu até a forma que conhecemos atualmente.
Em relação aos efeitos do chocolate em nosso organismo, não existem estudos conclusivos sobre como as substâncias presentes neste alimento agem em nosso sistema nervoso, entretanto, alguns estudos já realizados conseguiram desmistificar a ideia que o chocolate estaria relacionado ao aparecimento da acne e de inflamações cutâneas. Assim, o grande problema em relação ao consumo do chocolate se refere ao excesso de gordura hidrogenada acrescentada durante sua fabricação, que é prejudicial.
A carambola é uma fruta originária da Índia, de cor verde ou amarela e sabor agridoce. A caramboleira é uma árvore de pequeno porte, é bastante usada na ornamentação de quintais e jardins. A fruta é bastante consumida na China, principalmente na fabricação de sobremesas. Foi introduzida no Brasil em 1817, no Estado de Pernambuco.
O cultivo da carambola é indicado em regiões de clima quente e úmido. Em torno de 4 anos, a árvore já começa a dar os primeiros frutos. Uma caramboleira pode durar cerca de 50 a 70 anos.
A fruta possui um formato semelhante ao de uma estrela, por isso também é conhecida como star fruit. A carambola possui cinco gomos e uma polpa de consistência rígida. A fruta é encontrada na grande maioria das vezes, em pomares pequenos, quintais e sítios, seu cultivo não é feito em escala.
A carambola é uma fonte rica em sais minerais e vitaminas A, B1, B2, C, além de fósforo e potássio. A fruta é consumida in natura ou usada na fabricação de geléias, caldas, sucos e compotas.

Nó de Cachorro
Nó de Cachorro (Heteropterys aphodisiaca)
Esta é uma planta que vem sendo muito pesquisada por professores da Faculdade de Medicina da UNIFEST (Universidade Federal de São Paulo). Trata-se de uma planta nativa das regiões de cerrado e pântano. O que caracteriza esta planta são partes engrossadas e alguns nós presentes nas raízes, semelhante ao pênis do cachorro, o que acabou originando o nome popular da planta. Esta planta apresenta porte arbustivo, podendo atingir até 1,3 metros de altura, com ramos de cor avermelhada, inflorescência com flores de cor amarelada e sem fragrância.
Popularmente é muito empregada em Goiás e principalmente no Mato Grosso, principalmente pelos pântanos. Utilizam as raízes ou a entrecasca da planta, e é muito comum colocarem em uma garrafa de cachaça para o preparo de uma garrafada. Esta fica de cor avermelhada e é empregada para vários fins terapêuticos. É prática comum nestas regiões tomar antes das refeições um gole de pinga onde tem um pedaço da raiz do Nó-de-Cachorro, dizendo que "faz bem para os nervos". Também empregam esta raiz para facilitar o trabalho de parto, no diabetes, como tônico mental e afrodisíaco, depurativo, na desinteira, como auxiliar na eliminação do ácido úrico, das doenças venéreas e em problemas uterinos e até oftálmicos.
Os estudos desta planta têm mostrado resultados impressionantes. Testes com ratos (para obtenção de registro do fitoterápico no Ministério da Saúde é necessário apresentar uma série de estudos e um deles é o pré-clinico, ou seja, em animais) têm mostrado que é uma planta praticamente atóxica, tanto no uso em altas doses por um período curto (toxicidade aguda), quanto em doses pequenas mas por um período longo (toxidade crônica).
Em outro trabalho, ficou demonstrado que animais velhos que usaram esta planta por um período longo, apresentaram uma capacidade de aprendizado e de melhoria da memória muito superior aos animais que não a ingeriram. Mais uma vez confirmando uma das aplicações desta planta pela sabedoria popular.
Uma comparação dos níveis de aprendizado entre ratos, novos e velhos que usaram e não usaram esta planta, mostrou resultados surpreendentes. Os ratos idosos que fizeram uso desta planta tiveram o mesmo índice de aprendizagem que os ratos novos, confirmando mais uma vez sua capacidade tônica e estimulante mental. Efeitos anti-oxidantes em cérebros de ratos também foram relatados, tanto em estudos in vitro quanto in vivo.
Os resultados foram obtidos com o uso constante e por um período longo, mostrando que provavelmente estamos diante de uma planta adaptógena, como o Ginseng, Fáfia e Ginseng siberiano entre outras.
Seguindo a sequência dos estudos, o próximo passo, uma vez confirmados em animais, é realizar estes testes em seres humanos sadios, e é justamente o que está sendo feito. Até o momento demonstrou-se que também para seres humanos não apresenta efeitos colaterais. Devido ao seu mecanismo de ação, alguns profissionais estão acreditando que esta planta possa até mesmo substituir o Ginkgo biloba no tratamento de várias doenças, já relatadas no artigo publicado no número passado deste jornal.
Este é mais um exemplo da riqueza de nosso patrimônio genético e da capacidade de nossos pesquisadores. Só falta um pouco mais de seriedade por parte de nossos governantes para as causas nacionais. Podemos usar muitas plantas brasileiras para tratar nossos doentes, em substituição à plantas importadas, e com isso ficar livre de flutuações de preços devido a especulação do mercado financeiro.
Ademar Menezes Junior
